Futuro das Cidades - Instituto Vedacit

Cartilha e jogo explicam como funciona a cidade onde você mora

Você sabe a diferença entre a rede de esgoto e a rede de captação de águas pluviais? Ou o que diferencia usina de lixo, aterro sanitário e lixão? Por que existe legislação urbana e não se pode construir em qualquer lugar? Para o professor Miguel Antonio Buzzar, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP, em São Carlos, entender o local onde moramos pode fazer a diferença na resolução de problemas. E para combater o desconhecimento, a ferramenta encontrada por ele foi a informação.

Ele criou o Cartilha da Cidade, um projeto para informar de forma direta, interpretativa e ilustrada as questões relacionadas ao local onde vivemos. O foco principal são estudantes e o trabalho é baseado em um material impresso, que traz tópicos a respeito do funcionamento das cidades, além da realização de oficinas.

Desde 2016, o projeto leva graduandos e pós-graduandos da USP a escolas para promover debates a respeito da cidade, além de destacar a importância dos recursos e serviços existentes em um município e como eles funcionam.

“Os participantes do projeto agregam muito a ele, trazendo experiências e relatos. E uma das questões importantes é trabalhar com a vivência das pessoas, e apostamos que essa realmente seja uma das alavancas para a formação de cidadãos”, destaca o idealizador do Cartilha da Cidade.

Dentro dessas oficinas, são realizados atividades lúdicas, como o Jogo Urbano: as crianças são divididas em equipes e cada uma delas é responsável por pensar em soluções para problemas encontrados nas cidades.

“No jogo, cria-se uma cidade hipotética e cada grupo representa um agente urbano: prefeitura, câmara municipal, agentes imobiliários, ministério público etc. A ideia é que haja um entendimento ou um esclarecimento das questões que envolvem situações de conflito ou de interesses opostos no interior das cidades”, explica Buzzar.

O Jogo Urbano foi adaptado para alunos de diferentes faixas etárias, contemplando o ensino infantil, fundamental e médio. No ano passado, alunos da turma de cinco a seis anos da creche e pré-escola do campus da USP, em São Carlos, tiveram a oportunidade de participar do projeto.

“As crianças puderam montar a cidade, já utilizando conhecimentos prévios, mas, através dos questionamentos dos universitários, puderam refletir melhor sobre outras questões, problematizando situações específicas, como a distribuição de hospitais e escolas, por exemplo”, relembra Gabriele Fernandes da Silva, professora da creche.

Para ela, é muito importante que questões previamente discutidas com as crianças sejam revisitadas e a Cartilha da Cidade é uma excelente oportunidade para isso. “Essas questões e essa experiência também são muito válidas para os educadores, pois também aprendemos como é possível transformar os saberes comuns em algo mais técnico e científico.”

A diretora da creche, Liliane Araújo, ressalta que o projeto traz questões que serão pensadas pelas crianças de forma mais criativa. “As temáticas trabalhadas são de interesse das crianças, e elas lançam um novo olhar sobre situações cotidianas relacionadas ao trânsito, ao lixo, à maneira de se locomover, enfim, a questões espaciais em geral.”

O segundo volume da Cartilha da Cidade “já está no forno”, e nele novos tópicos e questões urbanas serão abordados. “Para que as oficinas e jogos chegassem ao formato que têm, muitos estudos foram feitos. Não é algo pronto e formatado, mas sim algo em desenvolvimento, que exige muita leitura, investigação e questionamentos”, afirma Buzzar.

Ele conta que o próximo passo será disponibilizar em um site os kits da Cartilha da Cidade, no qual poderá ser feito o download tanto da cartilha como também do jogo gratuitamente. Serão kits distintos para diferentes faixas etárias. Além disso, o site também deve ser um local virtual de discussão e compartilhamento de experiências.

“O site pode até mesmo se tornar uma pequena rede com os participantes do projeto. Dessa forma, outras pessoas, de outros locais, têm a liberdade de desenvolver outras versões da cartilha, realizando um desenvolvimento e aperfeiçoamento coletivos”, destaca o professora do IAU.

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