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“O brincar que abraça a diferença” é tema da Semana Mundial do Brincar

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Além de ser um momento de socialização, o brincar é fundamental para o desenvolvimento das crianças. Criada com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a importância dos momentos de brincadeira e também para promover o brincar em todos os cantos do Brasil, a Semana Mundial do Brincar (SMB) chega à 10ª edição, que será realizada entre 25 de maio e 02 de junho.

Promovida anualmente em maio em função do dia 28 marcar o Dia Mundial do Brincar desde 1999, a SMB foi concebida pela Aliança pela Infância, movimento internacional que promove iniciativas por uma infância digna e saudável, e por organizações parceiras, como Terre des Hommes e Instituto Mahle.

Letícia Zero, coordenadora da secretaria executiva da Aliança pela Infância no Brasil, explica que o evento visa colocar o brincar na pauta e ‘nas ruas’, sensibilizando as pessoas pela ação. “É uma semana inteira de crianças brincando e adultos discutindo sua importância no que chamamos de ‘brincar uma semana para brincar o ano todo’. Isso significa que exercitar esse brincar concentrado em uma semana vai contribuir para garantir que exista espaço para a brincadeira o ano todo. A missão da Aliança fala muito sobre encantar o olhar do adulto para a criança e isso acontece quando vemos uma criança brincando.”

Para celebrar os dez anos da mobilização nacional, o tema escolhido foi “O Brincar que abraça a diferença”. A escolha vem de uma evolução ao longo dos anos. Em 2016, a SMB tratou das possibilidades de encantamento que o espaço oferece com o tema “O Brincar que encanta o lugar”, pontuando que todos os lugares têm potencial para acolher a brincadeira. No ano seguinte, foi a vez de discutir o ritmo e o tempo do brincar com o tema “O Brincar que Encanta o Tempo”. Já em 2018, “Brincar de corpo e alma” falou sobre a criança estar 100% presente na brincadeira, trabalhando a corporeidade e os sentidos.

Somente na última edição, cerca de 200 mil pessoas foram mobilizadas para o brincar. A grandiosidade do número deve-se ao tempo de estrada da SMB e também ao fato de que muitos municípios brasileiros inseriram a Semana em seus calendários de atividade oficiais, o que contribui para levar a mensagem do brincar livre para outros âmbitos sociais. Também foi em 2018 que a Semana Mundial do Brincar quebrou fronteiras ao ser realizada em países da América Latina como Semana Mundial de Jugar. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua e Peru realizaram atividades.

Este ano une todos os elementos para discutir a diversidade dentro do ato de brincar. A Aliança acredita que, além de ser espaço de convivência da diversidade, o brincar é fundamental para a construção de uma cultura de paz e que é principalmente através dele que crianças podem vivenciar sua criatividade e imaginação, se relacionar com pessoas de realidades e características diferentes e, com isso, desenvolver a empatia que só o contato humano pode proporcionar.  

“Falamos sobre diversidade de espaços, tempos, corpos e agora iremos falar sobre diversidade de infâncias, de como uma cultura tem a ensinar à outra dentro do brincar, como esse é um espaço para que os diferentes corpos das crianças – seja com ou sem deficiência – convivam. Também vamos falar sobre os valores que essa convivência no brincar trabalha porque uma criança brincando com a outra vai enfrentar questões, vai precisar tolerar, perdoar, mediar a brincadeira, resolver conflitos e encontrar a paz. Todas essas questões são muito essenciais para a vida em sociedade”, explica Letícia.

Nesse sentido, a coordenadora reforça que o papel do adulto é essencial, não para mediar a brincadeira, mas para garantir o tempo e um espaço seguro para que a brincadeira aconteça.

Apesar de ser mais frequentemente associado a uma prática de crianças, o brincar é um direito humano. Com isso, Letícia defende que além do objetivo principal da SMB de sensibilizar a sociedade para a importância do brincar a partir da observação de crianças brincando – o que envolve o encantamento do olhar do adulto para o tema -, também são importantes os momentos de reflexão.

É por isso que, enquanto grupos de famílias podem organizar uma vivência na praça ou no parque, escolas e universidades podem organizar rodas de conversa, palestras e exposições destinadas a levar o tema ao mundo dos adultos. Todas essas atividades convivem e fazem parte da programação da SMB. “As duas coisas caminham juntas. O principal da Semana é o encantamento do olhar para o brincar com a criança brincando. Mas os momentos de reflexão sobre esse brincar garantem que nós avancemos na conversa mais reflexiva e formativa.   

Considerando que a brincadeira é um direito humano independente da idade, existe uma terceira ramificação das atividades realizadas durante a Semana: as brincadeiras para adultos. Letícia conta que em diversas edições da mobilização, a Aliança pela Infância recebeu relatos de ações para que os adultos brinquem. “Uma universidade de pedagogia realizou na edição passada um circuito de brincar para os alunos. Esse sensibilizar pela prática possibilita relembrar o brincar, o ativar das memórias”, reforça.

Anualmente, diversas organizações participam da mobilização e organizam atividades para compor a programação da Semana Mundial do Brincar. Instituições associadas ao GIFE que atuam na causa da infância podem contribuir com as ações ou com o debate. Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV), organização que atua com a primeira infância (que vai do nascimento até os seis anos), explica que em primeiro lugar é preciso desmistificar a ideia de que brincar livre é brincar sozinho. Segundo ela, brincar livre significa incentivar, encorajar e dar condições para que a própria criança experimente novos caminhos, faça escolhas e seja a protagonista de suas descobertas.

“Tudo isso pode e deve ser feito junto, lado a lado. Mas ao invés de chegar com a brincadeira pronta, devemos aceitar a proposta da criança, não ter pressa, segurar a ansiedade e deixar a imaginação fluir. Nessa fase, é brincando que os pais estabelecem e aumentam o vínculo com os filhos, entendem como eles pensam e do que mais gostam,” afirma.

Segundo a CEO, pelo fato de crianças não enxergarem as diferenças sob a ótica de melhor ou pior, é fácil discutir o tema diversidade, reforçando a necessidade de iniciativas que fortalecem esse pensamento. “É brincando que as crianças se relacionam com os outros e com o mundo a sua volta. Conviver, se relacionar e brincar com pessoas de realidades diferentes estimula a empatia. Portanto, o tema da Semana Mundial do Brincar deste ano evidencia a pluralidade, levando em consideração as diferentes culturas, religiões, raças e classes sociais. Uma ótima oportunidade de as crianças aprenderem, de maneira natural, o respeito às diferenças.”

A participação do Alana já é tradicional durante a Semana e, por isso, abarca as diferentes vertentes que compõem a SMB. Kedma Delmondes, coordenadora do Espaço Alana, ressalta que o brincar é uma bandeira levantada no dia a dia pela equipe. “Nós de fato acreditamos que o brincar livre é uma prática que deve acontecer no dia a dia e não algo pontual, a ser realizado somente em datas comemorativas. Também defendemos que o brincar é um espaço que proporciona o encontro das diferenças.”

Entre os dias 26 e 31 de maio, o Espaço Alana, do Instituto Alana, terá uma programação composta por brincadeiras e vivências lúdicas para possibilitar o brincar livre, além de reflexões sobre o tema. A abertura da Semana, que acontece no domingo (26 de maio), será realizada pela Banda Alana. Em seguida, o grupo “Núcleo Pedra Pequena” será responsável por uma sessão de contação de histórias sobre a Copihue, flor mais bela do mundo.

A programação segue na segunda-feira com a realização do 4º Painel Infância e Ludicidade para educadores de São Miguel Paulista e região. A atividade contará com a presença de Guacyara Labonia, da organização Mais Diferenças; da equipe multidisciplinar do Instituto Olga Kos; e de Letícia Zero, que irá dividir com os participantes os conceitos do ABCD Encantado da Primeira Infância, que designa o Aprender, Brincar, Comer e Dormir, pilares fundamentais para o desenvolvimento pleno nessa faixa etária. “Queremos que o brincar livre seja uma prática diária das escolas com as crianças. Por isso, pensamos no painel para os educadores, de forma a criar um espaço para trabalhar essa temática com eles”, explica Kedma.

O Alana contou com a parceria de diversas organizações para compor as atividades, como a ONG Mais Diferenças, responsável pela oficina “O brincar e a literatura – a mediação de um espaço para todos”, e o Instituto Olga Kos, responsável pela oficina “É brincadeira?”. O Grupo Alvorada, por sua vez, irá realizar uma roda de capoeira, enquanto Cristina Elaine Lopes irá realizar uma roda de contação de histórias e oficinas de Abayomi (uma boneca de origem africana, conhecida como símbolo de resistência).

No dia 31, seguindo o mote da Semana Mundial do Brincar, as crianças poderão experimentar brincadeiras como pega-pega, rouba-bandeira, esconde-esconde, pular corda, bolinha de gude e participar de outras oficinas, como a de criação de slime (um tipo de ‘massa de modelar’). Todas as atividades foram escolhidas com a participação dos maiores interessados no tema. “As crianças fizeram desenhos na ‘árvore dos sonhos’ e, a partir disso, fizemos uma seleção do que elas queriam e mais gostavam e montamos a programação de brincadeiras. Tudo o que fazemos no Espaço tentamos construir junto com elas e com parceiros. Não fazemos nada partindo dos profissionais para os menores e sim das crianças para o Espaço”, reforça Kedma.

Esse será o nono ano de participação do Espaço Alana na programação da Semana Mundial do Brincar e, segundo Kedma, é uma oportunidade para diversificar as ações que o Espaço já realiza e mobilizar as pessoas a refletir sobre a importância do brincar livre. A participação já é consolidada e, por isso, conta com a presença e apoio de outras organizações, como a Fundação Volkswagen, que será representada pela equipe da Mais Diferenças. A organização social é parceira executora do projeto Brincar, realizado pela Fundação Volkswagen e pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da qualidade da educação infantil em uma perspectiva acessível e inclusiva.

Para participar da Semana Mundial do Brincar não é necessário fazer parte de algum núcleo da Aliança pela Infância. Basta organizar uma atividade que promova o brincar livre na infância e ressalte sua importância. Assim, qualquer organização e indivíduo com uma proposta de ação pode integrar a programação oficial da SMB 2019. Vale ressaltar que é importante que a atividade seja gratuita e aberta ao público.

A Aliança pela Infância disponibilizou a logo oficial da décima edição da Semana, assim como o cartaz, neste link. O endereço também reúne o formulário de inscrição e o Guia Oficial da Semana Mundial do Brincar, que traz artigos de especialistas em infância e brincar, dicas de atividades e inspirações. Eventuais dúvidas devem ser encaminhadas diretamente à Aliança pela Infância no e-mail smb@aliancapelainfancia.org.br.