Futuro das Cidades - Instituto Vedacit

6 Passos para projetar cidades mais saudáveis

Segundo estimativas levantadas pela C40, uma rede de megacidades comprometidas em combater as causas das mudanças climáticas no planeta, cidades consomem mais de dois terços de toda energia produzida no mundo e são responsáveis por mais de 70% das emissões globais de CO2: um número que certamente tende a aumentar à medida que a população urbana mundial continua a crescer. Pensando nisso, o escritório holandês de arquitetura FABRICations decidiu desenvolver uma pesquisa em busca de alternativas para o atual modelo de cidade, explorando caminhos que poderiam resultar na diminuição das emissões de gases do efeito estufa na Holanda.

Para minimizar o impacto de nossas estruturas urbanas no planeta, o FABRICations defende que, primeiramente, devemos repensar alguns conceitos que parecem bastante simples, como a definição do que é uma cidade por exemplo. A equipe de arquitetos argumenta que as cidades devem ser compreendidas como um sistema sobreposto de infra-estruturas urbanas, e que devemos analisar todos os seus processo em conjunto, como um “metabolismo urbano” onde os produtos residuais de um sistema podem ser incorporados e utilizados como recursos em um sistema diferente.

Respaldados por diferentes projetos de pesquisa desenvolvidos ao longo dos últimos anos, eles propuseram uma abordagem baseada em seis estratégias que poderiam tornar nossas cidades mais saudáveis no futuro. Estes métodos vão desde o reaproveitamento do calor e da energia residual nas cidades até ideias mais subversivas como transformar as cidades em fábricas de bioenergia.

1. Reutilizar fontes de calor, minimizar o consumo de energia e tornar a cidade mais eficiente, ativando o espaço urbano e promovendo estratégias alternativas de mobilidade.

“Este conjunto de estratégias foi testado em projetos anteriores como o “Metabolismo de Roterdam” e a “Agenda Regional Espacial para Brabante”. No primeiro, propusemos a reutilização da enorme quantidade de calor residual da área industrial da cidade para aquecer residências, edifícios de escritórios, estufas e também espaços públicos. Na agenda para Brabante, estas fontes inesgotáveis de calor foram redirecionadas para aquecer ciclovias para estradas, protegendo-as do gelo durante o inverno além de garantir a dissipação saudável deste excedente de calor no ambiente urbano.”

2. Ampliar a capacidade de armazenamento de águas pluviais, reduzindo o impacto no sistema de drenagem e utilizando esta infraestrutura flexível de acordo com outras necessidades que possam surgir

“Na projeto de expansão urbana de Ningo-Prampram, projetamos uma infra-estrutura para mais de 1,8 milhões de pessoas, introduzindo bacias de inundação capazes de armazenar todo o escoamento das zonas urbanizadas. Utilizando uma estratégia chamada de “dedos verdes”, conseguimos inserir uma rede de drenagem urbana adaptada à topografia da paisagem natural, criando de quebra um espaço extra para a produção de alimentos e promoção da biodiversidade local.”

3. Utilizar o lixo orgânico produzido na cidade para a produção de fertilizantes naturais e geração de energia sustentável.

“Na proposta desenvolvida para Roterdam, abordamos a reutilização de resíduos orgânicos de vários formas. Entre outras coisas, propusemos um sistema para capturar o nutrientes na água. Normalmente, muitas das substâncias ricas em nitrato são lavadas da terra no processo de cultivo do campo. Alternativamente, estes nutrientes poderiam ser reutilizados em aquacultura e infra-estruturas de produção de energia. Ao longo desta pesquisa chegamos a conclusão de que um método de classificação dos resíduos nas casas das pessoas poderia tornar este sistema muito mais eficiente, aplicando-os posteriormente na produção de sistemas de energia de biomassa.”

4. Estabelecer práticas para a reutilização de resíduos da construção civil como estratégia para preservar o patrimônio e construir cidades mais sustentáveis e eficientes.

“No projeto desenvolvido para o “Bajes Kwartier”, um antigo complexo prisional, propusemos a transformação desta mega estrutura obsoleta em um novo “bairro residencial sustentável”. Neste projeto, 95% dos materiais de construção serão reutilizados no local, reduzindo drasticamente as emissões de CO2 na implantação do projeto. Além disso, muitos edifícios serão mantidos e transformados em pontos de referencia dentro do bairro.”

5. Incorporar terrenos vazios e abandonados transformando-os em áreas verdes para promover a biodiversidade e um estilo de vida mais saudável através do contato diário com a natureza

“Tal abordagem foi primeiramente proposta para a nossa “Rede de Energia Ecológica”, um projeto estratégico pensado para às linhas de alta tensão na Holanda, transformando-as no maior corredor de biodiversidade do país. Essas áreas normalmente estão sujeitas a restrições de todo o tipo e, muitas vezes, acabam negligenciadas, especialmente próximos a áreas urbanas. Quando transformados em corredores verdes, estes espaços agregariam um imenso valor ao ambiente urbano e as comunidades próximas.”

6. Priorizar modalidades alternativas de mobilidade e veículos elétricos, promovendo a construção de infraestruturas dedicadas e investindo em fontes de energia renováveis

“Da mesma forma que todas as estratégias anteriores, esta abordagem pode ser incorporada tanto nos processos de projeto quanto nos processos de desenvolvimento urbano. Em um de nossos estudos, chamado de “Rodovia x Cidade”, propusemos a transformação das principais rodovias de Amsterdam em avenidas urbanas, acessíveis para pedestres e ciclistas, dotadas de estações de recarga para veículos elétricos e vias subterrâneas para o trafego pesado.

Há anos estamos trabalhando com pesquisa e desenvolvimento, procurando soluções alternativas ao nosso atual modo de fazer cidades. Quando propusemos o projeto “Izmir Cycling Scan”, mapeamos os espaços de lazer e cultura da cidade de Izmir, na Turquia, em um raio de proximidade de 2,5 km para então identificar e traçar a melhor rota para pedestres e ciclistas, apoiando a mobilidade urbana e promovendo o uso e ocupação destes espaços de lazer.”