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1ª Mostra GIFE de Inovação Social aponta soluções inovadoras

“Estamos vivendo no Brasil um momento em que nossos desafios em áreas como saúde, educação, inserção produtiva, assistência social e o campo dos direitos, de maneira geral, têm demandado novas soluções e direções para seguirmos avançando. E precisamos avançar mais e mais rápido. Alguns dos caminhos que traçamos até agora e deram muitos frutos chegaram a seus limites, além de por vezes já não serem capazes de incluir questões mais contemporâneas, como é o caso das mudanças climáticas e do ritmo de produção e consumo da humanidade. A boa notícia é que já existe muita gente pensando sobre isso.”

A reflexão é de Erika Sanchez Saez, coordenadora geral da 1ª Mostra GIFE de Inovação Social, e expressa a motivação por trás da organização do evento, que acontece de 10 a 17 de setembro, no Centro Cultural São Paulo.

A Mostra busca iluminar a multiplicidade de contribuições geradas ou impulsionadas pelo investimento social privado (ISP) e pela filantropia no país reunindo experiências, aprendizados e práticas que se somam ao repertório de soluções para os desafios sociais e ambientais. O evento é ainda espaço de encontros para cocriação e compartilhamento de novas ideias.

“A Mostra dialoga com todas essas questões ao evidenciar contribuições e soluções que a filantropia, o investimento social privado e a sociedade civil estão ajudando a fomentar em cooperação com outros atores. Nesse sentido, a iniciativa reforça que esses desafios são coletivos e as soluções também precisam ser pensadas por todos”, ressalta a coordenadora da iniciativa.

Para Alan Correia, coordenador de comunicação do Itaú Social – principal apoiador da Mostra -, por serem muitos os desafios, os esforços precisam ser diversos e em rede. Ele fala especificamente sobre o desafio na educação, tema de atuação da instituição. “O avanço na construção de uma educação de qualidade, com equidade, exige a articulação de diferentes agentes. Ao apresentar um panorama de soluções inovadoras e colaborativas, a 1ª Mostra GIFE de Inovação Social promove o compartilhamento de ideias, a troca e a reflexão. Essa mobilização, no nosso entendimento, é fundamental para alcançar melhorias na educação pública brasileira.”

A primeira edição da Mostra GIFE de Inovação Social reúne quase 300 soluções desenvolvidas nas mais diversas partes do país.A contribuição do campo da filantropia e do ISP para a inovação social se materializa em múltiplas práticas, projetos, programas, metodologias, temas e frentes de desenvolvimento que compõem a exposição.

Um movimento comum orienta as iniciativas: o fortalecimento do sentido público do ISP. As soluções para os desafios da agenda pública brasileira nascem, essencialmente, de ações coletivas e multisetoriais e envolvem uma ampla diversidade de atores.

Nesse sentido, a inovação social se traduz em práticas que dialogam com duas dimensões: o fortalecimento de capacidades de ação na sociedade como um todo – incluindo sociedade civil organizada, gestão pública, academia, setor privado e cidadãos – e o desenvolvimento de novas soluções e modos de enfrentar os desafios nas mais variadas camadas e temas da agenda pública.

Erika destaca o processo iniciado pelo setor do investimento social privado na busca por maior efetividade, escala e impacto. “Isso se deu paralelamente ao intenso cenário brasileiro dos últimos anos. Agendas nas quais havíamos avançado muito retrocedem ou evocam novas demandas, como questões relacionadas a direito das mulheres, gênero e raça, e voltam ao centro do debate. A Mostra não pretende apresentar respostas únicas para os diversos desafios, mas ajuda a enxergar caminhos e soluções possíveis que já estão sendo colocadas em prática e que indicam também o enorme potencial de contribuição do campo. E sem dúvida, pensar, financiar e testar formatos inovadores é um papel importante do investimento social, que pode ser ampliado”, observa.

A coordenadora destaca que essa é a primeira vez que o GIFE realiza um evento que tem como objetivo olhar para as atividades finalísticas, aonde os recursos do investimento social privado e da filantropia estão chegando.

“Um objetivo importante é iluminar o que está sendo feito na ponta através da lente da inovação – e inovação entendida no seu sentido mais amplo, não somente aquela relacionada às novas tecnologias, mas tudo aquilo que possa ser incorporado como novos formatos para resolver desafios que temos como sociedade e que dialogam com temas diversos da agenda pública. Nesse sentido, mais do que reconhecer iniciativas na sua individualidade, o objetivo dessa Mostra é mostrar o potencial de contribuição desse campo na criação de soluções”, observa.

Outro objetivo da iniciativa, segundo Erika, é evidenciar que o potencial da filantropia e do investimento social privado é muito maior quando trabalhado em parceria com a sociedade civil organizada e com o poder público, dialogando com políticas públicas. “Muitas das iniciativas e dos projetos expostos deixam clara essa relação. O investimento social privado – seja ele familiar, empresarial ou promovido por grupos independentes – tem um papel a cumprir e potencial para contribuir ainda mais, sobretudo se trabalhar de forma articulada e colaborativa com outros setores e atores da sociedade.”

A Mostra é composta por quatro cenas. Na primeira, será possível conhecer motivações e dados sobre o campo do investimento social privado e da filantropia no Brasil. Uma instalação audiovisual permite ao visitante ouvir diversas vozes que compõem esse campo e o que as move na busca de soluções para os principais desafios do país.

No espaço seguinte, um panorama das quase 300 soluções do campo filantrópico e do ISP é organizado em duas dimensões: “Ampliando Capacidades de Ação Coletiva” – com iniciativas que se relacionam especialmente com o fortalecimento da ação pública, coletiva e cidadã da sociedade como um todo – e “Soluções na Agenda Pública” – com ações que se destacam especialmente por introduzir práticas e modos de enfrentar os diversos desafios que geram soluções novas e eficazes. Completa a experiência um grande mapa do Brasil, no qual é possível localizar todas elas, e outra instalação audiovisual que permite uma imersão nas soluções.

No terceiro ambiente é possível perceber como várias dessas iniciativas se relacionam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda global adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne os principais desafios da humanidade. Um painel interativo relaciona os projetos com cada um dos 17 Objetivos.

Um espaço de convivência e interação completa o itinerário da Mostra, no qual o visitante é convidado a contribuir com a exposição deixando impressões e ideias para um Brasil mais justo em um grande painel, que ficará visível aos visitantes ao longo dos sete dias de exposição e, posteriormente, será digitalizado e disponibilizado no site da Mostra.

Para Paola Caiuby Santiago, curadora e produtora da Mostra, o evento dialoga com o atual momento do país e é uma forma de motivar e informar tanto o setor da filantropia e do investimento social privado, quanto o público mais amplo. “Esperamos que o visitante saia mais esperançoso com o Brasil conhecendo tantas iniciativas inspiradoras e inovadoras.”

Erika observa que realizar o evento em um espaço público da cidade de São Paulo, que possui grande fluxo de pessoas que não necessariamente dialogam com esse setor, também contribui para aproximar essa visão e esse panorama de outros atores sociais.

Durante a Mostra serão promovidas atividades diárias abertas ao público e gratuitas. Ao longo dos sete dias de exposição também serão oferecidas visitas guiadas a estudantes universitários. O acesso à programação completa e o agendamento das visitas podem ser realizados no site da Mostra.

“Queremos criar espaços colaborativos e diversos aonde possamos pensar sobre desafios, fronteiras e soluções da forma mais plural e participativa possível”, reforça Erika.

As ideias, protótipos, sistematizações, debates e reflexões gerados durante a Mostra serão disponibilizadas no site da iniciativa, que se configura como o início de um hub voltado à difusão do que o setor do ISP realiza e fomenta nos territórios. “Queremos com isso estender a Mostra, difundindo de forma mais ampla toda essa informação e conteúdo produzido coletivamente”, afirma a coordenadora.